De uma a um milhão
Por Cris Alves
O Dia Internacional da Mulher é sempre lembrado pelas lutas femininas. São muitas, são antigas e para entendê-las basta recorrer à História do país e a seus personagens.
Como Chiquinha Gonzaga que ultrapassou os espaços femininos de uma época, lidou com a maldição familiar e as condenações morais e sociais, pois não se submeteu a maridos autoritários e infiéis. Ainda conseguiu viver de música e, em 1885, tornou-se a primeira maestrina brasileira. Tudo isso em um país que até 1943, mulheres só trabalhavam com a autorização dos respectivos maridos, que só puderam transitar em qualquer esporte e ingressar nas Foças Armadas no fim da década de 1970.
Outro personagem significativo, foi Getúlio Vargas que garantiu direitos importantes. Como o do voto e também a proibição de ser demitida por estar grávida juntamente com a licença maternidade de um mês. Outra medida expressiva foi a descriminalização dos terreiros de candomblé, religião de matriz africana, liderada por Mães de Santo e a oficialização de uma Santa, no lugar de Santo, como padroeira do país. Então a Era Vargas, independente do populismo do presidente, contribuiu, mesmo que de forma embrionária, para a visibilidade feminina no Brasil.
Em 1985, foi criada a primeira Delegacia da Mulher, que oferecia atendimento especializado a vítimas de violência doméstica e sexual. Foi nessa época que começou a luta de outra personagem, a farmacêutica Maria da Penha, que sobreviveu a duas tentativas de homicídio pelo marido, uma das quais deixou-a paraplégica. Depois das sucessivas agressões, ela passou a brigar por justiça, o que resultou na Lei 11.340 de 2006, que leva o nome dela e que visa proteger a mulher da violência doméstica e familiar. Em 2015, foi aprovada a Lei do Feminicídio dando continuidade à política afirmativa, iniciada com a lei Maria da Penha.
“Homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações”, estabeleceu o artigo 5º da Constituição Federal, promulgada no dia 5 de outubro de 1988, o que parece óbvio para os tempos atuais, é outro marco das conquistas femininas. A Assembleia Constituinte contava com apenas 26 mulheres entre os 559 parlamentares, mas foram criadas comissões que debateram com mulheres representantes de vários setores da sociedade, quais direitos a nova Carta deveria contemplar. Assim trabalhadoras domésticas conquistaram direitos previdenciários, a licença maternidade foi estendida para 180 dias, mulheres do campo passaram a ter direito à titularidade da terra. Neste momento ficou evidente que a luta não era mais de poucas e que a causa interessava a toda sociedade.
Assim chegamos a 2021, os movimentos sociais em defesa da mulher estão fortalecidos e permeiam todas as idades e classes sociais. A maternidade não é o único caminho e não há campo profissional que rejeite as mulheres e, ainda em pandemia, encerramos nossa reflexão com a história de Jaqueline Góes, negra e nordestina, que liderou o sequenciamento do genoma do Coronavírus no Brasil.
Hoje oito de março, lembre-se da trajetórias de mulheres, famosas e anônimas, que encararam as mais diversas causas e venceram, mas não totalmente. Façamos a nossa parte.

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Por que não deveríamos usar o termo “Asperger” para referir-se a um dos níveis do autismo?

 

Sandra Paro

 

A princípio, quem foi “Asperger”? Hans Asperger (1906-1980) foi um médico austríaco que deu o nome à síndrome, pois foi o primeiro a descrever o transtorno do espectro autista, em 1944. O médico observava crianças com falta de empatia, conversação unilateral, movimentos descoordenados, hiperfoco, ou capacidade de detalhamento sobre um tema específico. Foi ele também que apontou haver uma predominância desse quadro em meninos.

A Síndrome de Asperger foi incorporada ao Manual Estatístico e Diagnóstico de Transtornos Mentais – DSM-4, em 1994, descrita como um subtipo dos transtornos globais do desenvolvimento

O DSM-5 já havia dispensado o nome síndrome de “Asperger”, substituindo o termo por Nível I do TEA (Transtorno do Espectro Autista), considerado um quadro mais leve e funcional do espectro do autismo.

O Nível I pode ser mais difícil de ser diagnosticado por não ser notado o atraso intelectual e em alguns casos, atraso na fala, a criança inclusive pode apresentar vocabulário amplo e rebuscado.  Já os principais desafios incluem dificuldades em abstrair, com relações de amizade, problemas sensoriais, adaptação à novas rotinas, entre outras. O espectro é amplo e dada sua singularidade, os sintomas que podem estar presentes em um indivíduo não são regra para outro indivíduo.

Ainda sobre o termo “Asperger” é comum encontrarmos em redes sociais e nos movimentos de neurodiversos com maior frequência. Eles se referem a si mesmos como “Aspies”, alguns meios de comunicação apelidaram a síndrome de “síndrome geek” e afirmam ser o Vale do Silício um dos locais onde há a maior concentração de “Aspies” do mundo.

Explicações a parte sobre as características desse nível do espectro, voltemos ao nosso ponto que é o porquê não deveríamos usar o termo “Asperger”. Não só porque a nomenclatura oficial e científica o recomenda, porque a partir desse documento, que reuniu todos os transtornos que estavam dentro do espectro do autismo num só diagnóstico: TEA, mas porque, segundo a revista científica Molecular Autism, Hans Asperger, tinha ligações com programas nazistas e cooperou com o regime enviando crianças com deficiência à morte. 

Historicamente há especulações sobre o Partido Nazista e seu esforço para eliminar crianças com deficiências, já que eram considerados uma ameaça à pureza genética ariana, segundo o líder nazista. 

Segundo o livro Asperger’s Children: The Origins of Autism in Nazi Vienna (“Crianças de Asperger: As Origens do Autismo na Viena Nazista”, em tradução livre), o médico, que já deu nome à Síndrome, teria encaminhado dezenas de crianças para uma clínica chamada ‘Am Spiegelgrund’, em Viena, onde médicos fizeram experiências com elas, levando as a morte. 

A historiadora Edith Sheffer, autora do livro em questão, visitou arquivos do governo de Viena, bem preservados, que garantiam a participação de Asperger no partido nazista, embora ele não fosse membro. E ainda conferiu registros do próprio médico que descreviam crianças com deficiências e condições psiquiátricas em termos muito mais negativos do que seus colegas faziam. Gradativamente Asperger modificou sua descrição sobre as crianças com autismo: em 1938, “grupo de crianças bem caracterizado”, três anos mais tarde: “crianças anormais” e em 1944: “fora do organismo maior”. Depois da guerra, Asperger declarou sua opinião sobre o programa de eutanásia naquele período; “totalmente desumano”. O que vem dividindo opiniões sobre o médico e a sua contribuição na história do autismo. 

A autora do livro, a historiadora Sheffer, acredita que acabar com o uso do termo “Asperger” é imprescindível, mas outros garantem que isso poderia apagar essas lições do passado, que não devem ser ignoradas, aprendemos com o passado.

E você, como pensa? Se ainda não tem uma opinião e desejar conhecer a obra de Sheffer, segue a indicação: Crianças de Asperger – As Origens do autismo na Viena Nazista – Autora: Edith Sheffer – Tradução de Alessandra Bonrruquer – Editora Record,2019.

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Por Mariza Domingues

Criança é especial. Todas são. Sim. Criança é gente, é ser especial, singular, único. E não há medidor que seja usado para se referir às crianças tentando criar superioridades ou inferioridades entre elas que possamos interpretar como justo, coerente e adequado. É ser especial e pronto. Cada uma com seu “jeitinho” único se assemelha a todas as outras na importância.

Quando me deparo com segregações construídas a partir da singularidade de cada criança, me dá uma tristeza. Quando ainda vemos a sociedade olhar para crianças com necessidades especiais, com aparência física diferente, com aprendizado diferenciado, com habilidades alteradas por questão biológica, ambiental, genética ou psicológica de forma excludente é desumano, é imoral, é não ter amor ao próximo. E é inaceitável!

Recusar, rejeitar, afastar, separar as crianças com condições especiais não é uma possibilidade. E, pensar em tirar delas a opção de interagir com outras crianças, outras pessoas e com o próprio mundo é muita pretensão de achar-se tão superior e exclusivo no mundo. Pois não é! O mundo é de todos, é diversificado, é múltiplo, complexo, é coletivo, é conjunto e não há outra opção. É o que é.

Quantas histórias e lutas ilustram a busca pelo respeito às crianças com algum tipo de situação específica, seja física, motora, psicológica, de aprendizagem ou qualquer outra. Não se pode negar essa condição de ser humano a uma criança. As crianças estão desprovidas de conceitos sociais que segregam, que diferenciam. Elas só querem viver, brincar, aprender, ser. E isso é direito.

Sempre penso nos pais quando o assunto é discriminação contra crianças com necessidades especiais, pois quando alguém decide ter filho e isso acontece, esse ser é sim a criatura mais importante do universo para nós pais e ainda mais: ela é nossa responsabilidade e parece piegas, mas o que a gente mais quer é que ela possa ser feliz, ser parte do mundo, apropriar-se do mundo, viver no mundo e sentir-se parte dele de forma segura e saudável. Ter um filho rejeitado pela sociedade parece ser dor latente, ferida aberta, chagas como as de Cristo sangrando inocentemente. É muito doloroso. Por mais que os pais possam ter construído uma consciência da importância de seu filho no mundo, dói, comove, irrita, entristece, fere.

Faça o exercício! Treine empatia! Coloque-se no lugar do outro! Sinta!

Algumas situações surgem e nos comovem. Ouvir algo como “alunos com deficiência devem ser separados dos melhores”, “educação inclusiva nivela por baixo” é de um impacto desastroso e irresponsável vindo de alguém que é vorazmente ouvido e aceito através das mídias. É preciso ter cuidado com o que se fala já que não se tem cuidado com o que se sente. Nunca usaria aqui qualquer valor de juízo político. Sinceramente, seria menor, é menor do que falar de crianças livres, amadas, essenciais, importantes, especiais e IGUAIS.

A educação inclusiva é uma conquista! É um passo para uma sociedade que acomoda diferenças em vez de excluí-las! É ofertar aceitação em vez de acusação e recusa. A educação inclusiva ainda precisa de vencer duras batalhas, mas já conquista soldados. São tantos professores, coordenadores, diretores, pais que se mantinham na defensiva lá na Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996 dizendo que não estavam preparados para a educação inclusiva e que, hoje, descobriram que sempre estiveram prontos, pois não há nenhuma metodologia, teoria, treinamento que nos prepare mais do que o amor e o respeito. Esse tem sido o guia para a educação inclusiva daqueles que querem fazê-la com todos os anexos importantíssimos produzidos ao longo dos anos no plano da teoria, do pensamento científico, do estudo e observação. Não ignoremos isso.

Façamos a doçura do amor prevalecer no descompasso da realidade. Eu, nesse momento, uma vontade de esbravejar, gritar, repudiar e negar os que declaradamente se mostram contra crianças e famílias que, de tão especiais, me faz recuar nesse sentimento menor e dar preferência a convidá-los ao amor. Olhar para cada criança e cada pessoa que se dedica a cuidar dela e amá-las. Esses valem a pena!

Contemplemos o belo! Exaltemos os que amam e se dedicam ao bem! Vamos escolher o amor! E encolher o ódio.

Diga sim, mãe!

“Um ano perdido!”
Ouvir isso traz de imediato, argumentação contrária. “É óbvio que não!”
E o desabafo da mãe angustiada soa como contravenção à Lei Divina. Elencam-se motivos para o exercício de gratidão ao ano vivido, buscam-se fatos como provas vivas das bençãos recebidas em meio à pandemia, e, ao final, fecha-se com a constatação óbvia de que estar vivo já faz o ano não ter sido em vão.
E tudo isso é indiscutivelmente verdadeiro, mas não é o objeto que ocupa meu pensamento agora.
Vejo você, mãe.
Você que conhece a necessidade que seu filho tinha da terapia que não foi possível continuar, que vibrava com cada conquista relatada pela professora na escola, e se viu com ele em casa, tentando sobreviver ao exercício diário de equilibrar-se entre a lucidez e o caos. Você que viu avanços sendo perdidos pouco a pouco, num eterno recomeçar. E te vejo sem julgar, porque não ocupo o seu lugar. Ele é seu. Apenas você é capaz de sentir os efeitos do que viveu. Te vejo com amor, e te convido a um exercício.
Encontre um espelho. Sim, um espelho. E nele, encontre o único olhar que conhece o que se passa na sua alma. Olhe firme. Não desvie o olhar. Sinta as sensações que esse encontro traz para o corpo. Permita-se sentir. Se você vê uma menina, pegue-a no colo, dê o acalento que ela precisa. Diga a ela “eu vejo você”! Ela vive, frágil, dentro da guerreira que a vinda do seu filho criou. Devagar, olhe dentro dos seus olhos e diga SIM a essa mãe, a essa mulher que luta, que erra, que insiste, que desiste, que recomeça, que se reinventa. E está tudo certo. E seu sentir é legítimo. Acolha. Para amar, é necessário beber da fonte do autoamor. Afinal, oferecemos daquilo que estamos repletos. Abarrote-se de amor!
Quanto ao tempo, abrace o que está chegando a cada novo minuto. O que foi, já não está ao alcance. Então está tudo certo. Do jeito que foi.
Feliz momento novo. Feliz dia novo. Feliz de novo.

Prefixos melhores virão
Cris Alves
Enfim o ano de 2020 acabou. Sem dúvidas, o mais atípico e anormal de todos. Ano em que mudamos bruscamente de rotina, adaptamos aos equipamentos de proteção individual e sofridamente contabilizamos perdas. As dificuldades e as complicações foram tantas que manifestações de otimismo ou votos de prosperidade podem não ser encorajadores. Ainda mais que as perspectivas para o novo ano não são otimistas. Apesar disso ou por causa disso, 2021 exigirá de nós, um plano, uma estratégia.
Mas antes de qualquer projeto, voltemos a 2020 e seus ensinamentos. Primeiro, nos certificamos de que não temos controle sobre muita coisa, sobre quase tudo, eu diria. Pense nisso sempre que estiver sofrendo por antecipação. Depois aprendemos que podemos viver com menos bens de consumo. Esse até o planeta agradece. Mais um, descobrimos que ainda podemos e precisamos aprender muito, que há uma infinidade de novidades a serem desvendadas. Então não vale dizer que não consegue fazer isso ou aquilo e também não vale categorizar as pessoas em jovem demais ou velhas demais para encarar um desafio. Ainda, lembramos que a existência do outro é igualmente importante. Trabalhemos para que essa não seja esquecida.
E agora comecemos 2021 cientes de que a vida é cheia de imprevistos, uns simples e outros nem tanto e que são eles que nos qualificam para os embates que certamente virão. Então redefina as metas, desengavete os sonhos, aceite os empurrões da vida. Para isso, opte pelo trivial, pelo o que é possível e quando estiver no meio do turbilhão, pare, reflita e decida o que fará primeiro. Avalie a necessidade de se envolver em determinadas situações, ou seja, preserve a sua paz, aliás a serenidade pode ser uma meta. A delicadeza também.
Por fim, ativemos nossa capacidade de nos entristecermos, de nos alegrarmos, de nos indignarmos e de nos comovermos. É isso que garante a nossa humanidade e, consequentemente, a nossa boa convivência em sociedade. E que apesar das adversidades e dos dramas e por causa das conquistas, 2021 seja inesquecível.
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O Natal pode ser uma época mágica, mas se alguém da sua família está no espectro, há uma pressão extra para acertar. Estas dicas simples podem ajudar:

  • Tenha um local designado para relaxar e se retirar, especialmente se você planeja receber convidados. Você pode até mesmo chamá-lo como uma ‘sala silenciosa’.
  • Seja claro sobre quando amigos e familiares podem visitá-lo. Faça um cronograma e cole-o na geladeira ou em algum lugar de fácil acesso.
  • Use os calendários do advento a seu favor – uma contagem regressiva pode ser muito benéfica para alertar as pessoas sobre os próximos eventos.
  • Como alternativa, que tal decorar uma ‘sala de Natal’ designada para limitar o impacto das mudanças em outras salas da casa.
  • Olhe o mundo através dos olhos da pessoa que você ama – de que aspectos do Natal ela gosta? Não há regras – o Natal pode ser o que funciona para você e sua família.
  • Passe algum tempo livre de Natal, longe das festividades – isso pode ser útil para reduzir a ansiedade. Um passeio tranquilo no parque ou alimentar os patos pode ajudar, se isso é o que você normalmente faz para relaxar.
  • O Papai Noel pode causar ansiedade. Prepare seu ente querido mostrando fotos, ou talvez o Papai Noel pudesse deixar os presentes na casa de um parente.
  • Os jantares de Natal podem ser individuais, por isso, siga o que sabe que será popular. Quem disse que tem que ser peru assado?
  • No dia de Natal, tente manter uma rotina que se adapte à sua família. Se precisar fazer mudanças, prepare-se com antecedência, usando fotos ou histórias sociais para explicar o que está acontecendo.
  • O Natal é para se divertir. É a sua hora também, então sempre peça ajuda à família e aos amigos se precisar.

Desejamos a todos um Feliz Natal e um Feliz Ano Novo!

Disponível em: https://www.autismtogether.co.uk

 

ESCOLA PRA QUÊ?

 

Por Mariza Domingues

 

O retorno às aulas presenciais, nesse ano tão difícil, momento de pandemia da Covid-19, não poderia destoar e vir sem conflitos, reflexões e dramas. E, claro, sem aprendizados sobre a vida que se mostra um turbilhão de efeitos e causas que estão acima de nossa capacidade de dominar o mundo em que vivemos – descoberta como rasa ilusão!

Obviamente, a questão da saúde foi colocada em primeiro lugar e cada família tem uma história, uma realidade doméstica, de saúde, um contexto, um sentimento, tudo muito específico e realmente especial. E é aqui que o tom da decisão se define como tão particular quanto a história de cada um. Assim, nem tente fazer julgamentos, tentar entender a decisão, nem tente se achar na condição do palpite ou da opinião. Nem tente!

É decisão que vai muito além da técnica. A proteção à saúde e a vida é pauta inicial, mas ela não está sozinha. Ela é a ponta do iceberg que entranha mar adentro e possui uma profundeza de dores, amores, dúvidas e certezas que nenhuma criatura é capaz de conhecer claramente. Nem quem toma a decisão de levar ou de não levar o filho de volta para a escola, nas aulas presenciais, é dotado de certeza absoluta e convicção plena da melhor decisão. É muito difícil. Há de se assumir muitos riscos. Pais são responsáveis pelos filhos e a afetividade e responsabilidade disso é extensa e arriscada. Ninguém sabe se está tomando a melhor decisão. Cada história torna-se justificativa para cada escolha. E cada história é única, cada família é única, cada criança é única e, assim, cada decisão é mandamento sagrado, cravado na pedra de cada lar. Assim, nem tente! Nem tente julgar!

A volta às aulas presenciais é assunto de cabeceira, ultimamente, de muitos pais, crianças e adolescentes, diretores, professores, pediatras, médicos. E, provavelmente continuará sendo em 2021. Todos em busca de uma resposta que não se alcança matematicamente como os ditos de protocolo com somas e multiplicações de casos de contágio, leitos hospitalares ocupados, taxa de contaminação, casos de mortes, estabilidade e tantos mais. O assunto vai além.

E, a partir de agora, com todo respeito e zelo com o trabalho de quem organiza protocolos, assiste à doentes, estuda os números da Covid, analisa e constrói dados importantíssimos para que decisões sejam possíveis dentro de uma razoável lógica, gostaria de olhar para o estudante, para a criança e adolescente que, hoje, tem a possibilidade de voltar, presencialmente, à escola e precisa decidir-se. Olhar para esse estudante como ser único, com sentimentos e histórias muito exclusivas, construídas a seu modo singular de ser importante nesse universo. Pensando bem, manterei contato com a ciência, afinal, para educadores dedicados, estudados e atentos, há sempre a pauta de basear sua atuação em condições cientificamente comprovadas, experimentadas e assertivas. E, aqui incluo aos professores, os psicólogos, coordenadores e psicopedagogos que estão atuando nesse processo.

No momento em que a possibilidade de retorno às aulas presenciais se confirmou, o antagonismo tornou-se evidente. Ouvia-se de “Graças a Deus! ” à “Deus me livre! ”, de “Não vejo a hora de voltar! ” à “Nunca voltaria!”. E aqui, parto a uma convocação a pensar em todas as situações adversas pelas quais passamos nos últimos meses e fomos uma a uma experimentando, acertando, errando, recuando, progredindo e cada um a seu modo construindo seus aprendizados a partir de derrotas e conquistas. Essa decisão de voltar ou não às aulas presenciais é mais uma. E não tem como ignorar. Ainda mais sendo tão séria. É chegado o tempo da decisão. E, de novo, na ressalva de respeito aos setores importantíssimos envolvidos nisso, me apego ao ser humano, ao aluno, ao ser pedagógico. Talvez, seja critério de desempate na decisão a tomar. Talvez, nunca se tomará a decisão da volta pautado no valor e proteção à vida. Talvez, toma-se a decisão da volta pautados em percepções que nunca serão compreendidas pelos que estão fora dela. Nem tente!

As crianças com necessidades educativas especiais são um caso importante para se observar. Essas crianças, ainda mais, necessitam de uma rotina organizada e funcional para sua condição para se sentirem seguras e mais dispostas ao aprendizado. Após a ruptura grosseira de rotina que tiveram a partir do fechamento das escolas, passaram por um calvário de adaptações e readaptações para se construir um novo formato de vida possível à reinserção dos processos pedagógicos em seus cotidianos. Com o pouco tempo de dias letivos restantes, muitos pais e terapeutas entenderam agressivo e ineficiente o retorno dessas crianças, diante da dificuldade se construir rapidamente novos hábitos, mesmo sendo as crianças tão adaptáveis. Daí, como questionar essa situação?

Outros pais, principalmente de uma faixa etária que beira a pré-adolescência percebeu seus filhos tão impactados que comentam não os reconhecer, às vezes, em alguns comportamentos e decisões. Adjetivos como “rabugento”, “raivoso”, “distante”, “dormente” foram ouvidos nas descrições de crianças feitas por pais que entenderam o retorno ao presencial tão expressivo e urgente para resgatar a alegria, a vitalidade emocional, a capacidade de enfrentamento, do desafiar-se, do conquistar. Entenderam que isso é maior, é essencial, hoje.

O essencial, nunca, foi tão relativo. Por isso, insisto: não tente julgar o outro e suas decisões quanto ao retorno escolar presencial ou a manutenção das aulas on-line. Cada um sabe o que viveu e vive na clausura, no cotidiano, no anonimato da solidão com seu filho que, observado, partia o coração de muitos pais que percebiam uma angústia maior que o mundo, uma incapacidade de fazer algo que transformasse a saudade em expectativa, a solidão em zelo, o isolamento em noção do coletivo. Nem todos conseguiram e mesmo assim, todos são fortes.

Vivemos algo sem precedente! Não tem receita! Nem fórmula matemática, nem regras que resolvam. É um dia de cada vez e a força de manter-se vivo e experimentar o que o momento nos ensinou de um jeito muito forte: somos gente! E toda gente, só é gente porque sente. E sentimos! Sentimos tantas coisas que, em muitos momentos, pensamos que isso tudo não cabe em nós, mas cabe, pois isso tudo é o que realmente somos.

Impossível deixar sem menção àquelas crianças que lindamente descobriram o modo on-line de ser. Foi um movimento tão lindo ver as crianças se desenvolvendo em frete a telas e câmeras, abrindo e fechando microfones, construindo protocolos de comportamento on-line e absorvendo conhecimento a partir de esforços coletivos e amorosos que marcam essa relação pais-professores-alunos. Foi incrível! Um mundo paralelo foi criado e fez tanta gente feliz. Vale observar os tímidos que se sentiram tão seguros que se tornaram destaques. Na intimidade da câmera fechada, participou, falou, questionou, se expôs, mesmo achando estar escondido e cresceu. Tem preço isso? Não! Evolução, revolução, interação e desenvolvimento!

Mas, e os que não se adaptaram ao universo on-line? Foi traumático, foi ofensivo, foi desestimulante. E, ainda assim, aprenderam que nem tudo é do seu jeito, nem tudo se move para exclusivamente fazer você feliz. Esse aluno, mesmo assim, fez, lutou, tentou e se dispôs. Aprendeu! Aprendeu sobre a vida! Outros ficaram pelo caminho, desistiram e equipes de resgates tiveram que socorrê-los. A escola, a família, os terapeutas são equipes de luz e amor nesse momento. Feliz quem os teve mesmo estando em situação complicada. E, para esses alunos, o retorno foi “a vida voltando” como disse Clarice Lispector em um de seus contos. A vida voltou, as possibilidades voltaram, a existência voltou. Muitos pais usaram esse critério para decidir pelo retorno presencial. Muitas crianças voltaram e, mesmo diante de uma escola completamente modificada pela nova realidade e seus protocolos mil, se sentiu em casa.

A escola está diferente, mas ainda assim eu quero a escola. Essa é a frase que ecoa pelos portões, pátios e salas, agora menos habitados, mas não menos calorosos.

E, então, escola pra quê?

Escola para que o mundo seja mundo – on-line ou presencial – escola para que o consolo chegue, para que o afeto permaneça, escola para que a interação aconteça na necessidade mais instintiva do ser humano: relacionar-se com outro ser humano. Escola para que o mundo fique colorido e essas crianças possam alimentar sonhos. Observo que adolescente se anima quando sonha, quando projeta o futuro, quando se sente parte do mundo e a escola oferece isso. Escola para brincar no recreio, para arrumar encrenca com o colega e resolver em espaço neutro, mas monitorado. Escola para que se aproprie do desconhecido e se ache a pessoa mais incrível do mundo por isso; escola para que surjam cientistas capazes de criar uma vacina para uma doença malvada em poucos meses quando alguém sugeria meia década; escola para que políticas públicas pautadas em senso do coletivo e empatia sejam criadas; escola para que as diferenças agreguem às pessoas o hábito de ser respeitoso; escola para que se tenha médicos e enfermeiros capazes de assumir o compromisso feito; escola para que professores tenham vida, para que seu afeto afete tanto o outro que ele se assuste com a capacidade que tem.

Esse momento inusitado fez com que a sociedade observasse, percebesse a escola e os professores e o processo educacional. Espero, verdadeiramente que a valorização, a singularidade, a interação, a afetividade da escola tenha superado suas limitações e promova a educação e seus profissionais a um patamar de respeito, reconhecimento e confiança.

E, ainda em licença para mais uma manifestação muito pessoal, como professora e mãe, recuso o discurso do “ano perdido”. Nós trabalhamos muito esse não, rompemos barreiras, desafiamos nossa capacidade e fizemos muito sim. Não ignoro as limitações, dificuldades, pois elas realmente existem, mas elas não impediram de que boas coisas acontecessem: aprendizados, convivências, superações…. Nós precisamos dar ar de vitória para o fim desse ano. Estamos vivos! Aprendemos muito! Sofremos horrores, caminhamos em campo minado, mas estamos dignamente finalizando o ano letivo. O fato de estarmos exaustos fisicamente, exaustos emocionalmente, não pode nos impedir de ver nossas conquistas. Fomos muito valentes! E temos de estar orgulhosos!

Meu reconhecimento aos professores, alunos, coordenadores, diretores e colaboradores das escolas! Povo bom!

Então, escola pra quê?

Escola para que tenha pão, àquele que tem fome.

 

P.S.: Numa escrita, não cabe o mundo inteiro que é esse momento.

 

Mariza Domingues, professora e mãe de nascença.

 

 

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Cris Alves*

 

Em décadas passadas, qualquer orientação sobre sexualidade infantil era vista como um incentivo à iniciação sexual. Hoje, segundo Datafolha, 54% da população já não pensa assim e entende que o assunto deve ser tratado pela família juntamente com a escola.  Apesar da evidente mudança de mentalidade, a educação sexual ainda gera desconforto e setores conservadores da sociedade, em especial políticos e religiosos, têm se esforçado para privar crianças e adolescentes de informações importantes que lhes garantiriam além de um desenvolvimento humano pleno, a proteção contra abusos de diferentes níveis.

Como o que aconteceu com uma menina de dez anos que engravidou após ser estuprada pelo tio, como o que condenou um jogador de futebol por participar de um estupro coletivo na Itália ou como o que inocentou o estuprador da influenciadora digital Mariana Ferrer sob a alegação de que não havia provas suficientes para condená-lo.  Se considerarmos, os números recentes, mais de 66 mil mulheres passaram pela mesma situação, e ao analisarmos os desdobramentos fica evidente que apesar de difícil ou desagradável, tratar do assunto, é absolutamente necessário.

Tanto os episódios a que tivemos acesso, como as estatísticas, indicam que crimes sexuais ocorrem em qualquer idade e em qualquer classe social e que o indivíduo capaz de realizar tal barbaridade não apresenta um perfil definido. Como nos episódios relatados, pode ser um familiar ou alguém de confiança da vítima, pode ser uma figura pública   com carreira solidificada ou pode ser um desconhecido em ambiente lotado.

Os episódios mostram ainda como as vítimas são tratadas. Todas, inclusive crianças, passam por constrangimentos como ter a conduta questionada e também são coagidas para desistirem da denúncia. Outras tantas não recebem apoio nem dos familiares. Por que isso acontece?

Porque vivemos em uma sociedade que trata as mulheres como objetos e que as responsabiliza pelo ocorrido e que tolera e até valoriza o assédio e muitas vezes protege o agressor. É o que chamamos de cultura do estupro, a qual devemos romper e para isso temos que admitir a existência desse comportamento que normaliza e perpetua a violência e condena meninas e mulheres a uma vida de traumas, revoltas e sofrimento.

Estupradores precisam ser punidos. Eles precisam saber que a pena inicial é de seis a dez anos de prisão, e que particularidades como a idade da vítima e o número de pessoas envolvidas na agressão podem aumentar a punição original em até dois terços. Para isso, precisam ser denunciados por vítimas que foram acolhidas pela família, pela sociedade e pela justiça.

Mulheres precisam saber dos seus direitos. Precisam saber que a Lei Maria da Penha garante proteção policial, exame de corpo de delito e distanciamento entre acusado e vítima; que há outra lei importantíssima, mas pouco conhecida, a do Minuto Seguinte que oferece atendimento imediato pelo SUS mesmo antes da vítima fazer boletim de ocorrência. Garante ainda amparo psicológico, exames preventivos de Doenças Sexualmente Transmissíveis e facilidade do registro de ocorrência.

Crianças precisam ser ensinadas. Elas precisam saber sobre higiene e anatomia e que não podem ser tocadas em determinadas partes do corpo e que devem reagir com gritos e empurrões. É preciso que saibam que carinho expressa amor e   não pode ser feito em segredo e que qualquer ação obscura ou constrangedora deve ser relatada a um adulto de confiança.

Por fim, pais e mães precisam colocar o assunto no seu projeto de educação. Todos precisam aceitar que a criança, menino ou menina, é vulnerável e que os riscos estão nos mais inesperados lugares como escolas, igrejas, casas de familiares e amigos. A educação sexual em casa e na escola, previne abusos, favorece a autonomia e contribui para a realização pessoal.

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Por Sandra Paro

De modo recorrente observamos memes e posts engraçados nas redes sociais, que tratam de como foi a infância dos mais velhos, pais, tios e até mesmo avós modernos são capazes de lembrar e até rir, em alguns casos. A maior parte desses memes têm como tema a punição, como reguladora das ações e formadora do caráter das crianças.

Abaixo um exemplo de como esse tipo de argumento era, e ainda é, uma maneira de explicar como apanhar e ser criado numa atmosfera de vergonha, culpa e dor era comum. Um tipo de comportamento que não representa mais essa sociedade, ou não deveria representar, já que hoje não temos mais adultos como modelo de submissão e essa é uma grande mudança comportamental.

Fonte: Google imagens

Hoje, o modelo familiar mudou, mas isso não deve explicar os problemas que enfrentamos na educação das crianças, em comparação aos “velhos tempos”. Não é porque a criança apanhou que se tornou um adulto de caráter respeitável e nem é porque a criança tem mãe solteira que ela não o será.

O que devemos nos lembrar recorrentemente é que as crianças seguem os exemplos que observam ao seu redor. O comportamento da criança é modelado pelo que ela aprende com o ambiente e com as pessoas que estão nele. Já observou que quando o pai fala um palavrão, a criança em dado momento repete? Então fiquem atentos, as crianças que vivem em um ambiente respeitoso, são respeitosas e quando são tratadas com dignidade e respeito também serão capazes de tratar com dignidade e respeito.

A liderança e a orientação por parte do adulto são muito importantes, além do que já explanamos acima, elas precisam de um ambiente de gentileza e firmeza, devem saber que são crianças e que devem ser orientadas pelos pais, mas também não é certo envolvê-las num ambiente de culpa, vergonha e dor.

O que observamos facilmente hoje na sociedade são crianças que não têm oportunidade de desenvolver a confiança em sua capacidade de lidar com os altos e baixos da vida, precisamos oferecer mais oportunidades para que eles aprendam autonomia e responsabilidade. É nesse ponto que consideramos as habilidades sociais e de vida valiosas, somadas a um ambiente de gentileza, firmeza, dignidade e respeito.

Esse conjunto de fatores aparentemente simples pode ajudar a não tornarmos as crianças “receptores dependentes”, que manipularão as pessoas em seu favor. O que as crianças, os filhos precisam é ter suas energias e inteligência para o desenvolvimento da percepção de que são pessoas capazes e que possuem as habilidades necessárias para o convívio social e para o estilo de vida da família em nossa sociedade.

Ser capaz, reconhecer-se como importante, ter a noção de que as suas atitudes influenciam a sua vida, entender suas próprias emoções e buscar o autocontrole, capacidade de cooperação e empatia, lidar com os desafios da vida com responsabilidade e flexibilidade são percepções significativas que devemos desenvolver em nossas crianças.

 

 

 

Texto de Emily Pearl Kingsley

“Quando você vai ter um bebê, é como planejar uma fabulosa viagem de férias – para a Itália. Você compra uma penca de guias de viagem e faz planos maravilhosos. O Coliseu, o Davi, de Michelangelo. As gôndolas de Veneza. Você pode aprender algumas frases úteis em italiano. É tudo muito empolgante.

Após meses de ansiosa expectativa, finalmente chega o dia. Você arruma suas malas e parte. Várias horas depois, o avião aterrissa. A comissária de bordo diz: “Bem-vindos à Holanda”

“Holanda? Como assim Holanda? Eu escolhi a Itália. Deveria estar na Itália. Toda minha vida sonhei em ir para a Itália”.

Mas houve uma mudança no plano de voo. Eles aterrissaram na Holanda e lá você deve ficar.

O mais importante é que não levaram você para um lugar horrível, repulsivo, imundo, cheio de pestilência, fome e doença. É apenas um lugar diferente.

Então você precisa sair e comprar novos guias de viagem. E deve aprender todo um novo idioma. E vai conhecer todo um novo grupo de pessoas que você nunca teria conhecido.

É apenas um lugar diferente. Tem um ritmo mais lento do que a Itália é menos vistosa que a Itália. Mas depois de estar lá por algum tempo e respirar fundo, você olha ao redor… E começa a perceber que a Holanda tem moinhos de vento… E tem tulipas. A Holanda tem até Rembrandts.

Mas todo mundo que você conhece está ocupado indo e voltando da Itália… E todos se gabam de quão maravilhoso foram os momentos que lá passaram. E pelo resto de sua vida você vai dizer: “Sim, era para onde eu deveria ter ido. É o que eu tinha planejado”.

E a dor que isso causa não irá embora nunca mais…Porque a perda desse sonho é uma perda extremamente significativa.

Porém… Se passar a vida lamentando o fato de não ter chegado à Itália, você nunca estará livre para aproveitar as coisas muito especiais, as coisas adoráveis… Da Holanda”.

*Esse texto é um clássico para entendermos que não estamos no comando, mas que podemos aproveitar a viagem.